sábado, 17 de março de 2012

Da série: Eu não resisto a uma livraria

Hoje foi um dia de poucos deveres. Estava cansada da caminhada de ontem. Ontem andei até o Coliseu, depois fui ao Foro Romano e depois Piazza Veneza e andei praticamente por toda a Via del Corso, uma rua de lojas tipo a Florida em Buenos Aires.

Então fui conhecer o novo lugar onde ficarei, na piazza Bologna, a partir de amanhã. Aprendi a pegar o metrô. Peguei o metrô no Termini, muita gente. Quando voltei, resolvi dar uma olhada no shopping do Termini e... dei de cara com uma super livraria. Na verdade, quando fui na Via del Corso, a ideia era achar uma livraria grande, coisa que não encontrei. Mas então dei de cara com essa BorriBooks e achei muitos bons livros.

Eu sempre gosto de observar os assuntos mais tratados pela sociologia nas livrarias. Aqui, tinham muitos livros sobre a questão da mulher e muitos tantos outros sobre a identidade dos italianos. Muitos livros sobre a vida política do país e do mundo também. Acabei comprando quatro livros:

1) Um sobre a crise européia, chamado Titanic Europa, de 2011.
2) Um sobre o movimento dos indignados, também de 2011.
3)Um sobre o Marchionne, da Fiat. A abordagem eu não gostei, pois trata Marchionne como um revolucionário, tipo Henry Ford. Mas acho que vale a pena conferir.
4) Um do Luciano Gallino, até agora o sociologo italiano que mais admiro: "La lotta di classe dopo la lotta di classe" (A luta de classes depois da luta de classes). É um livro de entrevista com ele. Segue abaixo uma tradução livre da apresentação do livro:

"A característica saliente da luta de classes de nossa época é esta: a classe daqueles que, de diversos pontos de vista, são considerados os vencedores - termo muito apreciado por aqueles que acham que a humanidade se divide entre vencedores e perdedores - e estão conduzindo uma tenaz luta de classes contra aqueles considerados os perdedores. Esta classe dominante global existe em todos os países do mundo, com diferentes proporções e pesos. Esta classe tem entre seus principais interesses limitar ou contrastar o desenvolvimento das classes sociais - a classe operária e a classe media - que possam em alguma medida ameaçar seu poder de decidir que coisa convém fazer com o capital que possuem que não seja acumulá-lo".

Interessante contrastar com o livro sobre os indignados (15M). Este foi escrito por pessoas do próprio movimento e... eles se dizem contra a classe política, a classe dirigente, e não propriamente contra a burguesia, embora haja uma associação clara entre politicos e homens da burguesia. Enfim, o que mais indigna os indignados são os privilégios da classe politica e, assim, propõem algumas medidas para a "regeneração do nosso sistema politico-econômico". Regeneração???????????

Claro que qualquer movimento, seja político ou nao, possui contradiçoes em seu interior. Acredito que haja vozes mais ou menos revolucionárias, mais ou menos reformistas, mas o fato é que esta disputa demonstra que há coisas em comum: a ampla descrença nas instituições do capitalismo financeiro. Ainda assim, continuamos depositando nossos dinheiros nos bancos, certo?







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