quarta-feira, 28 de março de 2012

ROMA, FELLINI


Este é um filme incrível. Os cenários de Roma são exatamente como no filme. Bela cidade. Mas como revela uma fala do filme: "é a cidade das ilusões. Por acaso aqui não estão a Igreja, o governo e o cinema, três coisas que produzem ilusões?"

http://www.youtube.com/watch?v=Yd95iaZ5r48



segunda-feira, 26 de março de 2012

L'ho trovato!

Achei o programa do Infedele da semana passada. MUITO BOM realmente. Um bom debate, que começou com o sindicalista/político Pierre Carniti, que diz: "O problema do trabalho na Itália é que não há trabalho! Estamos discutindo a oferta, mas é um problema de demanda".


domingo, 25 de março de 2012

Bons programas: debate e entrevistas

O Programa Che tempo che fa passa na Rai 3, todos os finais de semana. É um programa de entrevistas, sobre temas da atualidade. E como o tema do trabalho é sempre uma atualidade por aqui, volta e meia as entrevistas vão neste sentido, trazendo representantes do governo e/ou sindicatos.
Na última semana, tivemos a entrevista com a Ministra do Trabalho e Bem estar, Elsa Fornero, que é, mais do que Mario Monti, o foco das atenções neste momento.

Outro programa interessante é o l'Infedele, que teve uma entrevista nesta semana como o sindicalista Pierre Carniti. Na verdade este programa é mais um debate do que uma entrevista. Infelizmente, não estou conseguindo assistir pela internet este programa :(

Seguindo a linha de programas interessantes, tem o Servizio Pubblico. Esta semana, tratou do tema da corrupção e reforma jurídica italiana.

http://www.youtube.com/user/Serviziopubblico



quinta-feira, 22 de março de 2012

Che cazzo significa PREGO - o significado do Prego!

A pergunta que mais ouço, quando menciono Itália, é sobre a palavra PREGO. Bom, o melhor de uma tradução é verificar as situações onde se usa uma palavra. Então, depois de algum tempo, acho que consegui entender:

1) De uma forma geral, quer dizer "pois não". Então se um garçom ou atendente diz "prego", ela/ele quer dizer: pois não, o que vc quer, em que posso ajudar? Isto tudo em uma palavra: Prego.
2) Quer dizer também "disponha". Eu falo "Grazie", vc responde "Prego".
3) é também a forma de pedir algo: "ti prego che..." = "te peço que..."
4) Também pode ser usado como "por favor": Può ripetere, prego? (pode repetir por favor?)

Será? Foi o que consegui capire.


terça-feira, 20 de março de 2012

Iniziano le manifestazione contro la riforma

Ieri abbiamo visto le prime manifestazione contro la riforma del mercato di lavoro a Genova!! Bravo!


Achei também uma ótima matéria no mesmo jornal (Il Secolo XIX) que resume as posições das centrais e resume a história: em poucas palravas, a grande chave da questão é a modificação do artigo 18 do Statuto dei Lavoratori, como comentei em post anterior.


(cliquem nas cores diferentes para ir aos links)




domingo, 18 de março de 2012

1900 - lotta di classes

La prima manifestazione

Eu juro que eu não procurei um protesto ou manifestação, mas como tem acontecido direto, especialmente em Roma, acabou que eu entrei numa.
Era na Piazza Santa Maria Maggiore, justamente onde eu estava instalada. Ouvi umas palavras de ordem, desci do quarto e vi aquela multidão reunida contra o aumento de passagens em 50 centavos (!!) e pelo direito a moradia. Muita gente mesmo, de todos os tipos e nacionalidades.

E é claro que mencionaram a reforma do mercado de trabalho que está em curso. Uma reforma nefasta, que segue alguns moldes do mercado de trabalho alemão, mas que para os italianos significa abrir mão de muita coisa. Eu estou preparando um post sobre isso, mas preciso entender melhor e pegar alguns dados sobre desemprego aqui na Italia (vi no jornal que Roma é a que mais sofre com isso) e entender as transformações no direito do trabalho que estão propondo, para além daquelas que já aconteceram desde 2003, com a riforma Biagi, e a de 1997, com os contratos temporários. A principal polêmica é sobre o artigo 18 do Statuto dei Lavoratori, que versa sobre licenziamenti (demissões), uma vez que este artigo é bastante caro aos trabalhadores. Em poucas palavras, ele cria condições mais rígidas para se demitir: caso não haja justa causa, a empresa pode ser obrigada a recontratar o demitido. E é claro que este artigo impede uma maior flexibilização do mercado de trabalho, como no Brasil já temos. Desde o início dos anos 2000, os sucessivos governos e Cofindustria tentam modificar o artigo, mas não conseguem devido a rejeição das centrais sindicais, especialmente a CGIL. Mas o clima agora é de ameaça, uma vez que a Italia esta em crise e, segundo Mario Monti, essa é a única maneira de sair dela.

Como eu disse, estou preparando mais coisas para apresentar o problema com maior propriedade.

sábado, 17 de março de 2012

Da série: Eu não resisto a uma livraria

Hoje foi um dia de poucos deveres. Estava cansada da caminhada de ontem. Ontem andei até o Coliseu, depois fui ao Foro Romano e depois Piazza Veneza e andei praticamente por toda a Via del Corso, uma rua de lojas tipo a Florida em Buenos Aires.

Então fui conhecer o novo lugar onde ficarei, na piazza Bologna, a partir de amanhã. Aprendi a pegar o metrô. Peguei o metrô no Termini, muita gente. Quando voltei, resolvi dar uma olhada no shopping do Termini e... dei de cara com uma super livraria. Na verdade, quando fui na Via del Corso, a ideia era achar uma livraria grande, coisa que não encontrei. Mas então dei de cara com essa BorriBooks e achei muitos bons livros.

Eu sempre gosto de observar os assuntos mais tratados pela sociologia nas livrarias. Aqui, tinham muitos livros sobre a questão da mulher e muitos tantos outros sobre a identidade dos italianos. Muitos livros sobre a vida política do país e do mundo também. Acabei comprando quatro livros:

1) Um sobre a crise européia, chamado Titanic Europa, de 2011.
2) Um sobre o movimento dos indignados, também de 2011.
3)Um sobre o Marchionne, da Fiat. A abordagem eu não gostei, pois trata Marchionne como um revolucionário, tipo Henry Ford. Mas acho que vale a pena conferir.
4) Um do Luciano Gallino, até agora o sociologo italiano que mais admiro: "La lotta di classe dopo la lotta di classe" (A luta de classes depois da luta de classes). É um livro de entrevista com ele. Segue abaixo uma tradução livre da apresentação do livro:

"A característica saliente da luta de classes de nossa época é esta: a classe daqueles que, de diversos pontos de vista, são considerados os vencedores - termo muito apreciado por aqueles que acham que a humanidade se divide entre vencedores e perdedores - e estão conduzindo uma tenaz luta de classes contra aqueles considerados os perdedores. Esta classe dominante global existe em todos os países do mundo, com diferentes proporções e pesos. Esta classe tem entre seus principais interesses limitar ou contrastar o desenvolvimento das classes sociais - a classe operária e a classe media - que possam em alguma medida ameaçar seu poder de decidir que coisa convém fazer com o capital que possuem que não seja acumulá-lo".

Interessante contrastar com o livro sobre os indignados (15M). Este foi escrito por pessoas do próprio movimento e... eles se dizem contra a classe política, a classe dirigente, e não propriamente contra a burguesia, embora haja uma associação clara entre politicos e homens da burguesia. Enfim, o que mais indigna os indignados são os privilégios da classe politica e, assim, propõem algumas medidas para a "regeneração do nosso sistema politico-econômico". Regeneração???????????

Claro que qualquer movimento, seja político ou nao, possui contradiçoes em seu interior. Acredito que haja vozes mais ou menos revolucionárias, mais ou menos reformistas, mas o fato é que esta disputa demonstra que há coisas em comum: a ampla descrença nas instituições do capitalismo financeiro. Ainda assim, continuamos depositando nossos dinheiros nos bancos, certo?







Falando em Império Romano...


Gente, nao pude deixar de comentar sobre um filme muito engraçado que vi no aviao que trata justamente do periodo de transiçao - Julio Cesar e a querela entre Otaviano Augusto e Marco Antonio: "Toto e Cleopatra". Para quem ainda nao viu nenhum filme de Toto, grande comediante italiano, vale a pena para ver pela primeira vez. Eu chorei de rir com o filme, so vendo para saber.


Grandes cidades = multiculturalismo

Arvores sagradas para os romanos (cipreste?)

Templo de Saturno, no Foro Romano

Foro Romano


Meu primeiro post é sobre a necessidade de conhecer Roma para ter uma maior dimensão do que é a Italia.
Bom, enfim, estou em Roma e a primeira impressão é de uma cidade bem bagunçada, com os carros te ameaçando, tal como muitos ja contam. Mas ao mesmo tempo gostei muito de ver milhões de indianos, paquistaneses, chineses, filipinos, africanos de vários paises e, ao que parece, bolivianos ou peruanos. Além dos turistas germânicos, americanos, brasileiros, portugueses, russos, espanhois e africanos. Nossa, é tanta nacionalidade, cor e lingua diferente que é dificil explicar. Claro que estou em uma zona de turismo, perto do Termini (a estaçao central de trens em Roma, que também abriga um mega shopping e o metro). Eu juro que não vi tanta gente diferente em Paris, que dizem ser tambem uma capital multicultural.
Fiquei pensando o quanto as grandes cidades relativizam a noção de identidade nacional e se tornam tão fascinantes exatamente por este multiculturalismo. Mas este multiculturalismo é vivido de forma bastante particular por cada grupo. Nós, brasileiros, por exemplo, nos importamos muito em se adaptar a cidade, tentar falar a lingua e não atrapalhar os costumes e ritmos locais. Eu percebo que indianos e chineses, no entanto, quase não falam a lingua local e permanecem com suas linguas nativas entre si. Embora estejam no comércio de rua e nas lojas, eles mal falam o italiano. Uma tentativa de manterem suas identidades?
Cara, mas eu fiquei impressionada mesmo com os indianos e paquistaneses (não sei ao certo). São muitos!! E muito simpáticos também. Tem muito restaurante indiano por aqui e eles tem aqueles carros, tipo carrocinhas, tal como vemos em filmes que mostram aquela região. Claro que eu estou tomando coragem para provar esta deliciosa comida indiana das carrocinhas. Acho que domingo será o dia!!

Voltando então ao inicio do post: A historia da Roma antiga é realmente muito interessante para fazer um paralelo com os dias de hoje... ela passou pela Monarquia, depois a Republica e, finalmente, os Impérios, começando com Augustus (27a.c - 14d.c.). A Italia desde o Risorgimento passou pela monarquia, pela República e, ao que parece, com Berlusconi, iniciou seu periodo imperial (acho meio forçado falar isso, embora o paralelo já tenha sido feito por alguns analistas). Será? Não sei se Mario Monti pode ser considerado exatamente um imperador, talvez um daqueles imperadores moderados... Esperamos que a era dos Impérios não retornem.

Minha primeira visita foi o Foro Romano e o Palatino, e é realmente muito bom usar a autoguida (aquele guia que vc vai ouvindo). Aprendi coisas incriveis sobre Roma e andei por aquelas ruínas arqueologicas, me fazendo sentir que é possivel compreender melhor a Italia quando se passa por ali.


sexta-feira, 16 de março de 2012

Ho iniziato la giornata

Criei este blog para compartilhar minhas ideias com vcs, amigos. Será um diário de viagem e de pesquisa. Como sempre temos que desenvolver nossos diários de campo, pensei: por que não faze-lo de forma interativa? Assim, a pesquisa ganha também em reflexão e debate.